sábado, novembro 28, 2020

SOBRE A AÇÃO PEDAGÓGICA

 Por Claudio Domingos Fernandes

 

Cume da educação é a educação moral: quem o nega não é homem, não é digno da humanidade. P. Giovanni Minozzi

          A reflexão que segue é fruto de minha convivência junto à Família dos Discípulos. Nela estão aprendizados colhidos dos mestres Don Giorgio Giunta, Don Mario Natalini e Don Carmine Mosca, com os quais enriqueci-me, estou em débito  e nutro profunda estima.

Quando entramos em um processo pedagógico, mesmo que de qualificação profissional, não esperamos que as pessoas que nele estão, enquanto formandos, o terminem médicos, advogados, professores, políticos..., embora a formação vise uma qualificação específica. O que sustenta um projeto pedagógico são os princípios de uma formação ampla, profunda, radicada na formação humana.

O que vale para uma qualificação específica tem maior relevância quando tratamos da formação inicial dos seres humanos, que tem um caráter geral...  O processo pedagógico inicial visa uma formação geral, oferecendo os instrumentos – a alfabetização, o domínio da leitura e da escrita, a apreensão dos conhecimentos disciplinares, – para a pluripossibilidades de qualificações específicas, sem perder de vista a formação integral.

A nós, no ensino básico, não importa, a princípio, se a pessoa com quem nos relacionamos em nossas disciplinas será médico, dentista, engenheiro, deputado, padre ou pastor; isto será uma escolha pessoal. Para nós interessa que esta pessoa apreenda um conjunto de saberes que lhe será necessário para conduzir-se no convívio social, constituindo interações propositivas. Em toda formação específica o fio orientador são os princípios éticos de humanização das práticas profissionais, em que o bom médico, ou bom advogado, ou o bom eletricista ou padre ou pastor, seja também uma boa pessoa, isto é, além do domínio profissional, tenha um reto caráter. Esperamos que além de bom juiz, bom professor, bom político, no sentido técnico-profissional, seja boa em sentido ético. Assim, não ensinamos as pessoas a serem bons profissionais, isto dependerá de suas práticas, das experiências que irão adquirir no exercício de suas profissões, no quanto se empenharão aprimorando-se, as ensinamos, mesmo quando a ensinamos a extrair um dente ou a retornar um troco, a serem pessoas integras, respeitadas, reconhecidas.

No ensino básico é isto que importa quando lhes transmitimos nossos saberes disciplinares, não queremos gramáticos, químicos, filósofos..., não queremos que dominem a língua estrangeira à perfeição ou saiam atletas de ponta, não é esta a função do ensino básico. Além da formação para a cidadania e para o trabalho, é a formação para ser integra e integral que orienta nossa ação pedagógica, que norteia nossas praticas na escola. Este ensino não o fazemos com nossos saberes, o fazemos com nossas atitudes, com o modo como vivenciamos o que ensinamos...

Assim, em cada uma das etapas do processo pedagógico as pessoas nele envolvido não assumem apenas categorias cognitivas e epistemológicas, assumem compromissos éticos, que fundamentam suas experiências de vida e seu ensinar.

É neste sentido que, em toda relação pedagógica, e principalmente no ensino básico, “o educador deve inspirar respeito, confiança e segurança no aluno; deve ter uma personalidade [amadurecida], superior, generosa e simpática, verdadeiramente fascinante, que atraia vocações” (Pe Giovanni Minozzi).

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