Por Claudio Domingos Fernandes
Cume da educação é a educação moral: quem o
nega não é homem, não é digno da humanidade. P. Giovanni Minozzi
Quando entramos em um
processo pedagógico, mesmo que de qualificação profissional, não esperamos que
as pessoas que nele estão, enquanto formandos, o terminem médicos, advogados,
professores, políticos..., embora a formação vise uma qualificação específica.
O que sustenta um projeto pedagógico são os princípios de uma formação ampla,
profunda, radicada na formação humana.
O que vale para uma
qualificação específica tem maior relevância quando tratamos da formação
inicial dos seres humanos, que tem um caráter geral... O processo pedagógico inicial visa uma
formação geral, oferecendo os instrumentos – a alfabetização, o domínio da leitura
e da escrita, a apreensão dos conhecimentos disciplinares, – para a
pluripossibilidades de qualificações específicas, sem perder de vista a
formação integral.
A nós, no ensino básico, não
importa, a princípio, se a pessoa com quem nos relacionamos em nossas
disciplinas será médico, dentista, engenheiro, deputado, padre ou pastor; isto
será uma escolha pessoal. Para nós interessa que esta pessoa apreenda um
conjunto de saberes que lhe será necessário para conduzir-se no convívio
social, constituindo interações propositivas. Em toda formação específica o fio
orientador são os princípios éticos de humanização das práticas profissionais,
em que o bom médico, ou bom advogado, ou o bom eletricista ou padre ou pastor,
seja também uma boa pessoa, isto é, além do domínio profissional, tenha um reto
caráter. Esperamos que além de bom juiz, bom professor, bom político, no
sentido técnico-profissional, seja boa em sentido ético. Assim, não ensinamos
as pessoas a serem bons profissionais, isto dependerá de suas práticas, das
experiências que irão adquirir no exercício de suas profissões, no quanto se
empenharão aprimorando-se, as ensinamos, mesmo quando a ensinamos a extrair um
dente ou a retornar um troco, a serem pessoas integras, respeitadas, reconhecidas.
No ensino básico é isto que
importa quando lhes transmitimos nossos saberes disciplinares, não queremos
gramáticos, químicos, filósofos..., não queremos que dominem a língua
estrangeira à perfeição ou saiam atletas de ponta, não é esta a função do
ensino básico. Além da formação para a cidadania e para o trabalho, é a
formação para ser integra e integral que orienta nossa ação pedagógica, que
norteia nossas praticas na escola. Este ensino não o fazemos com nossos
saberes, o fazemos com nossas atitudes, com o modo como vivenciamos o que
ensinamos...
Assim, em cada uma das
etapas do processo pedagógico as pessoas nele envolvido não assumem apenas categorias
cognitivas e epistemológicas, assumem compromissos éticos, que fundamentam suas
experiências de vida e seu ensinar.
É neste sentido que, em toda
relação pedagógica, e principalmente no ensino básico, “o educador deve
inspirar respeito, confiança e segurança no aluno; deve ter uma personalidade [amadurecida],
superior, generosa e simpática, verdadeiramente fascinante, que atraia vocações”
(Pe Giovanni Minozzi).
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