terça-feira, setembro 27, 2016
SOBRE DIVAGAÇÕES INSONES E SETEMBRO AMARELO
Eu
não sei exatamente quantos professores eu tive durante toda a minha caminhada
formativa, não sei quantos ainda terei. Mas se tivesse que agradecer a algum
deles, agradeceria a aqueles que diziam-me "desista, você não leva
jeito!"; a aqueles que se limitaram a apontar os erros, nunca os acertos,
mesmo que escassos. Sobre tudo, agradeceria muito a uma professora de quem me
recordo toda manhã, quando tenho que decidir se continuo ou não mais uma jornada. Estava numa 5ª série, levei-lhe o
caderno para corrigir: "Estes garranchos eu não corrijo, com esta letra
você não vai ser NADA, um ninguém!" Sua voz ecoou a sala toda,
estremeceu-me por dentro, e ainda lateja todas as manhãs. Mantive a letra e
esta permanente sensação de não ser ninguém mesmo quando uso o teclado. As
única coisas que me mantém são os remédios, dois gigantes em meu quintal e uma
flor que insiste em fincar, em mim, raízes. Quanto aos remédios, uma hora os
tomo com um litro de conhaque.
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