“Não
estou criticando seu trabalho, realmente você é muito caprichosa. Mas, não
posso aceitar esse tipo de gente em minha casa.” (de um fragmento no Estadão)
Ghermana
Trancoso andava desconfianda do marido. Ela o percebia distante, muito atacado
ao computador.
Ghermana
Trancoso ia ao Shopping, comprava sapatos, se empanturrava de fondue de
chocolate, reclamava a atenção do marido, que respondia burocraticamente.
Ghermana
Trancoso não se aquietava, o marido era cada vez mais esquivo, falava-lhe pouco,
quase não a notava, vivia trancado em seu escritório com estudos bíblicos a serem
feitos, predicações a preparar: “era preciso pensar na Igreja”, dizia,
deslizando aos queixumes e exigências de Ghermana Trancoso...
Certa tarde, Ghermana Trancoso, ao sair de seu
psicanalista, notou sua “colaboradora no lar” atravessando a rua com uma
criança no colo. No dia seguinte, Ghermana Trancoso inquiriu a “colaboradora”,
que informou-lhe ser mãe solteira. Ghermana Trancoso para preservar os filhos
de uma moral perversa demitiu a “colaboradora”: “uma mãe solteira era uma
influência negativa num lar dedicado a servir o Senhor. Gente dessa espécie
dizia, fazendo os gestos do pastor, que por sinal era o marido, não tem moral
alguma...”
Ghermana
Trancoso passou a dormir mais segura, embora o marido continuasse atacado ao
computador: “trabalhava tanto o pobrezinho, sempre preocupado com a Igreja...”
Quando
Ghermana Trancoso descobriu que o marido andava monitorando os banhos da filha
e os fazia circular numa rede de amigos virtuais, Ghermana Trancoso agradeceu
ao Senhor Deus: “Graças vos dou Senhor, Bom Deus, pelo esposo dedicado e bom
pai que me deste.” O marido havia explicado que estava administrando possíveis
varões, para encaminhar a filha em um negócio, quer dizer casamento, “agradável
ao Senhor”.
Lemos
no Comarca que a Família Trancoso precisa de “colaboradora no lar” com sólidas
tradições patriarcais.
Pau
D’Alho é uma cidade incomum...
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