.. ... Meio da noite, a porta abriu-se
sorrateira. Ela apareceu-me como flor em botão, mas eu sabia ser uma jovem por
quem nutria certo interesse. Quis consultar as horas. Não achei o despertador.
Talvez estivesse caído embaixo da cama. Às vezes acontecia. Fechei os olhos,
tentei retomar o sono. Uma canção de Marvin Gaye preencheu o ar enquanto ela
desnudava-se ao seu ritmo. Arremessava suas peças intimas sobre mim que,
imóvel, procurava despertar... Toda nua,
abriu a janela do quarto, e uma brisa fria o invadiu. Aproximou-se de mim.
Ardendo
em minha cama, eu evitava olhar para seu corpo, mas o olhar é dono de si... “Eu
adoro sexo oral e você?”, disse-me, selando um beijo em meus lábios. Eu me queimava
de volúpia, ao mesmo tempo, certa repugnância me imobilizava. Era-me apenas
flor desabrochando. Eu sabia não poder colhê-la...
Como
eu não me movesse ela subiu sobre mim, abrindo as pernas sobre meu rosto: “ser
chupada me leva às nuvens e tu o fazes tão bem!”, falou-me com voz carregada de
sensualidade... O seu cheiro era inebriante, estava prestes a ceder... O
despertador me trouxe à realidade.
Tomei
um banho, organizei meu material, tomei café. Preparava-me para sair: “Não vai
à escola hoje não”, falou-me com voz carregada de chamego. Virei em direção ao
quarto: “Eu não sabia que meu irmão transava tão bem”: Sorriu-me inebriante...
Já não tinha mais certeza alguma... Talvez eu ainda durma e o despertar seja apenas
sonho.
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