Ser corrigidos é ter nossa autoimagem arranhada, é sentir-nos deslocados de nosso pedestal, de nossa orgulhosa autoestima. Quando somos corrigidos, nossa reação é de impaciência e contrariedade, parece que nos enfiam um espinho na carne. Mas ser corrigidos é necessário. Corrigir é ato de respeito, de interesse pelo outro, expressa carinho e cuidado. Quem nos corrige não nos quer mal, nos quer bem. Querer-nos mal é ser-nos indiferente e nos deixar atolar em nossos erros. Então, embora, como primeira reação, eu suba nas tamancas e embirre, sou grato sempre a quem me corrige, mesmo nas pequenas coisas. Eu não sou adepto do “é errando que se aprende” ou “errar faz parte”. Não, tudo que faço, faço esperando estar certo. Há erros que não ensinam, apenas produzem sofrimento. Tentativa e erro não é comigo, porque há erros que não se corrigem. Perceber, por mim mesmo, meus erros, faz-me sentir solitário, uma indiferença no mundo. É chato ser corrigido, mas ser corrigido me diz que não estou só, que alguém se interessa por mim e pelo que eu faço.
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