Somos indivíduos únicos. Únicos não quer dizer sós e ou auto suficientes. Somos únicos, mas interdependentes. Somos únicos, porque somos com outros sem sermos qualquer outro senão nós mesmos. E apenas sendo nós mesmos, podemos estar com outros.
Na relação com os outros, a sinceridade está antes da verdade. Sinceridade e verdade não são a mesma coisa. A sinceridade é algo da pessoa. A verdade não é uma aquisição pessoal. A verdade pertence à comunidade, não ao indivíduo. não existe a minha, ou a sua verdade. Existe a verdade, e esta pertence a todos, deve estar à disposição de todos.
Toda pessoa tem pelo menos algumas crenças ou convicções sobre as coisas, sobre si mesma e a realidade que nos inter-relaciona.
Convicções e crenças não precisam ser verdadeiras, precisam ser sinceras. Devemos aceitar que haja alguma verdade nas crenças e convicções que as pessoas manifestam.
Geralmente, aquilo em que acreditamos realmente entra em conflito com aquilo que dizemos e fazemos. E examinar esse conflito nos leva à compreensão de nós mesmos e de nossas crenças mais íntimas. Só descobrindo os limites de nosso conhecimento, do que de fato sabemos sobre nós mesmos e nossas crenças, e do que não sabemos é que podemos definir em que realmente acreditamos.
É preciso deixar que as pessoas digam o que pensam, mesmo que nos choque ou nos agrida. Como poderíamos examinar e compreender nossas contradições se não as manifestássemos. Sabermos o que pensamos, como agimos e as distâncias do dizer e do fazer só é possível colocando nossas crenças e convicções sob análise, nossa e dos que nos circundam.
A convivência é um empreendimento paradoxal. Para nos tornarmos únicos precisamos entender o que as pessoas dizem e fazem, entendendo, antes o que dizemos e fazemos, procurando diminuir a distância que separam estes atos. Não existem seres únicos fora da comunidade. Fora da comunidade somos seres isolados sem sermos solitários.
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