As vezes eu falo com a vida/As
vezes é ela quem diz (O Rappa)
Hoje não tem feira. Com suas
calças vermelhas e casaco de general cheio de anéis, Marcelo Yuka partiu
naquele velho navio, naquele velho navio. Tentou ser crente, mas o Cristo dos
crentes não o convencia. Seu Cristo era diferente, sem cruz. Era um Cristo,
podemos dizer, brincando entre crianças nas ruas como se fosse um quintal,
tomando uma cerveja na esquina, circulando na minhoca de metal, ou nos camburões
que lembram navios negreiros, deixando aos jornais seu sangue como capital. Não,
Yuka não acreditava em Deus, no Deus do crente, de uma paz silenciada, de uma
paz que é medo. Rejeitou até o fim esta paz sem voz, de poltrona no dia de
domingo, diante do vídeo, procurando novas drogas, que o fizesse feliz. Não,
essa felicidade não o satisfazia, era pescador de ilusões. Sua fé não era
comercial. Hoje os anjos cantam por ele. Pra quem tem fé a vida nunca tem fim. E
mesmo não acreditando em Deus, Macelo Yuka tinha fé. Hoje ele partiu naquele
velho navio, naquele velho navio, entrou na Vida, foi encontras-se com palavras
de um livro sem fim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário