quinta-feira, janeiro 17, 2019

COISAS DE BANANÓPOLIS II



Uma recente pesquisa, de um renomado instituto de Massachusetts, concluiu que peneiras não são instrumentos apropriados para tapar o sol. Os cientistas queriam comprovar a clássica expressão popular: “tapar o sol com a peneira”, no sentido de tentar ocultar algo com instrumentos ineficientes, denotando uma atitude ingênua, quando não matreira.  Os cientistas testaram cerca de duzentas peneiras das mais variadas marcas, para concluírem que, de fato, não se tapa sol com a peneira. Não obstante o resultado das pesquisas, alguns religiosos da denominação Jesus Cristo da Goiabeira, colocam em questão os resultados, alegando que “para Deus nada é impossível”. Segundo o líder religioso Eufalo Flácido: “os cientistas ao negarem a impossibilidade de se tapar o sol com a peneira, colocavam em dúvida a onipotência divina. E colocar a onipotência de Deus em dúvida é coisa de comunista”. Diante, então, do decreto do governo que facilita a compra de peneiras para atenuar os efeitos do verão, um iminente ministro, desqualificando resultados de pesquisa, disse que o tema era controverso e que, “diante do insucesso de medidas anteriores, apostar no uso da peneira para tapar sol torna-se uma solução pertinente”. Mudando de pato pra pato mesmo, um sabujo (ou togado, como queiram) acaba de ser visto cobrindo o sol com a peneira. “O que para uns não é possível, para outros se dá de mão beijada”, diria minha vó. “Lá em Bananópolis”, diz tia, “mão se beija é com umas verdinhas.”

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