Os temas se misturam, se imbricam, produzem um caldo temperado às nossas ideologias. Desdenhamos o que deveria ser reconhecido. Valorizamos o que deveria ser combatido. Não quero heróis, não os preciso. Quero o espírito, mesmo que frágil, contraditório, ainda em formação, do que, querendo, colocando vontade e disciplina, somos capazes. E somos capazes de um salto para além de nossos limites, somos capazes de um golpe preciso, somos capazes de dominar o vento e remar vigorosamente. Somos capazes de vencer quando nos dão por vencidos. Na Copa sofremos um revés e, até antes da partida de ontem, se apostava em outro, como se apostava em desastre (Zika, dengue, terrorismo, violência generalizada...) em vexame internacional, por nossa suposta "desorganização". O revés não veio, até o momento, fora o queixume à forma como torcemos “ruidosamente", não fizemos feio, (o que deixa alguns muito triste. Nelson Rodrigues tem uma explicação para isso). Quem esperava um novo revés do Brasil se ressente, prefere agora desmerecer a seleção alemã. Outros preferem ficar nesse mimi com Neymar (que ele responda na justiça o que tem que responder e não só ele). Ele não jogou só, outros dez jogaram com ele. Ele jogou o que precisava jogar e foi o suficiente. Mas, segundo os entendidos, ele pode mais e minha bronca com ele é só esta: de seu desempenho em campo. Para mim, o que fica destes jogos e seus resultados é que poderíamos ser grandes e estar à altura de qualquer atleta mundial, em qualquer modalidade. Talentos culturais e esportistas doados à sua prática temos de sobra, nos falta estadistas, homens que não façam da política um instrumento de seus ressentimentos e interesses mesquinhos, capazes de oportunizar nossas potencialidades. Aprendo nesses dias que nossos anseios políticos são parcos, mesquinhos e nos deixamos conduzir por homúnculos e queremos impingir a tudo nossa miopia política. Nosso desdém com a vitória, com o sucesso qualquer que seja, de quem quer que seja, é fruto de nossa insatisfação com a política. Nascemos para sermos gigantes (não o do "em berço esplêndido"), nos deixamos governar por anões, a tudo reduzimos - infelizmente - ao tamanho de nossos políticos. Nossas ideologias nos turvam a dimensão de nossa grandeza... Nossas conquistas nos amargam...
Nenhum comentário:
Postar um comentário