quinta-feira, junho 30, 2016

TEMER E O SUICIDA

O Cargueiro da CPTM tem apertos, atrasos, resignados reativos (aqueles que reclamam, mas torcem para dar serto (é com ‘s’ mesmo). Depois, é sempre o indiferenciado povo, nunca  com ele.  O que torna a viagem menos cansativa e desanimadora são os piadistas, sempre tem um. E o sujeito saiu-se com esta: "um tipo está para pular da ponte, quando alguém grita: Não pula! Não pula! O Temer está passando! E o sujeito então desiste. Um repórter, já preparando matéria elogiosa em favor de Temer resolve lhe perguntar qual a influência do interino em sua desistência: "Eu queria me matar, não me sujar de bosta!", respondeu o gaiato". A CPTM continua um lixo, o Brasil vai piorando, mas vou rindo pro meu sufoco...


quarta-feira, junho 29, 2016

SERVOS DO SENHOR


“Não estou criticando seu trabalho, realmente você é muito caprichosa. Mas, não posso aceitar esse tipo de gente em minha casa.” (de um fragmento no Estadão)



Ghermana Trancoso andava desconfianda do marido. Ela o percebia distante, muito atacado ao computador.
Ghermana Trancoso ia ao Shopping, comprava sapatos, se empanturrava de fondue de chocolate, reclamava a atenção do marido, que respondia burocraticamente.
Ghermana Trancoso não se aquietava, o marido era cada vez mais esquivo, falava-lhe pouco, quase não a notava, vivia trancado em seu escritório com estudos bíblicos a serem feitos, predicações a preparar: “era preciso pensar na Igreja”, dizia, deslizando aos queixumes e exigências de Ghermana Trancoso...
 Certa tarde, Ghermana Trancoso, ao sair de seu psicanalista, notou sua “colaboradora no lar” atravessando a rua com uma criança no colo. No dia seguinte, Ghermana Trancoso inquiriu a “colaboradora”, que informou-lhe ser mãe solteira. Ghermana Trancoso para preservar os filhos de uma moral perversa demitiu a “colaboradora”: “uma mãe solteira era uma influência negativa num lar dedicado a servir o Senhor. Gente dessa espécie dizia, fazendo os gestos do pastor, que por sinal era o marido, não tem moral alguma...”
Ghermana Trancoso passou a dormir mais segura, embora o marido continuasse atacado ao computador: “trabalhava tanto o pobrezinho, sempre preocupado com a Igreja...”
Quando Ghermana Trancoso descobriu que o marido andava monitorando os banhos da filha e os fazia circular numa rede de amigos virtuais, Ghermana Trancoso agradeceu ao Senhor Deus: “Graças vos dou Senhor, Bom Deus, pelo esposo dedicado e bom pai que me deste.” O marido havia explicado que estava administrando possíveis varões, para encaminhar a filha em um negócio, quer dizer casamento, “agradável ao Senhor”.

Lemos no Comarca que a Família Trancoso precisa de “colaboradora no lar” com sólidas tradições patriarcais.


Pau D’Alho é uma cidade incomum...




segunda-feira, junho 27, 2016

O SÁBIO


E um que corria para não ser o último da fila disse: “Mestre, nos fale sobre o Capitalista e o trabalhador.

“Em uma selva, um leão encontrou-se numa armadilha. Um macaco, percebendo sua aflição, correu a livrá-lo. Passado algum tempo, quem se viu em uma armadilha foi o macaco. O Leão percebendo a oportunidade, devorou-o.”

“O capitalista sabe dar valor à oportunidade”, concluiu um que lia um jornal.

Todos o acharam sábio, dando as costas ao mestre.

domingo, junho 26, 2016

CLAUDIA SCHIFFER



A Brigitte Bardot está se desmanchando e os nossos sonhos querem pedir divórcio... (Tom Zé)


           Eu devo confessar que meu romance com Claudia Schiffer começou em junho de 2000. Quem me a apresentou foi um amigo padre, com quem eu me queixava de minha insônia e frequente irritabilidade. Eu estava em Massachusetts, prestes a professar votos. Em algumas semanas, teria os exercícios espirituais, e me angustiava o encontro com o padre confessor. Não havia novidade em meus pecados.
Certa tarde, durante o intervalo dos estudos bíblicos, meu amigo padre, chamou-me de canto, sacou de sua blusa uma Playboy. Era uma edição do mês de maio de 1997: “Irmã, antes de procurar teu confessor, procure pecar”.
“Padre”, confessei, antes de esposar o Senhor: “eu trai Brigitte Bardot...”




sábado, junho 25, 2016

NO MEU TEMPO


Quando eu era criança, meu avô dizia que eu não sabia brincar, porque morava na cidade e na cidade: "não se ordenhava, não se caçava, não se pescava." Na minha rua, uma das maiores diversões dos mais velhos, era amarrar o "mudinho" no poste com as calças arriadas só para ouvi-lo gritar com dificuldade socorro e alguns palavrões. O “mudinho” sobreviveu, mas será que ele tem saudade de sua infância?  Como nossos filhos vão brincar com piões, bolinhas de gude, revolveres de mamona, se não lhes apresentamos esses objetos? Como vão brincar na rua, se somos nós que os trancamos, "por segurança", em nossos apartamentos e condomínios, com suas regras que tudo proíbem? Em nossas casas sem quintais, em nossas ruas cobertas de asfalto (meus filhos não sabem o que é barro, onde moramos é tudo asfalto e cimento) não se pode correr, não se pode gritar, não se pode subir nas árvores. Na minha infância, que não foi longa, aos dez anos eu já trabalhava, íamos a escola em grupos, a pé, o que nos permitia "arruaças". Hoje uma van pega e deixa o meu filho na porta de casa. Depois, tínhamos muito tempo livre, podíamos brincar. Nossos filhos, além da escola, têm o balet, o inglês, a natação... Estamos sempre ocupando-lhes o tempo. No meu tempo a água chegava em baldes que as mulheres de minha casa (é, buscar água no posso era um papel feminino) iam buscar no açude... Eu sobrevivi a uma infância de brincadeiras, estudo precário e trabalho. Maravilho-me com meu filho de  5 anos dominando um TABLET, enquanto eu mal consigo esquentar o almoço no micro ondas. No meu tempo se cozinhava à lenha, embora já existisse fogão. Minha avó não era dada a modernidades... Não podemos impor a nossos filhos nossas saudades, devemos no entanto propiciar-lhes situações que lhes sejam memoráveis. Que tal ir empinar pipa com o teu filho? Vá curtir com ele tua saudade de forma prática...