Vou dar minha estapafúrdia opinião: Embora a JUSTIÇA seja um valor desejado por todos, nas democracias a POLÍTICA ordena e indica o papel do judiciário, que deveria estar subordinado às leis. Numa democracia, não são os juízes quem formulam as leis, são os parlamentos, o espaço do embate político. No Brasil, promotores e juízes têm procurado subverter esta relação e pretendem eles dizer como a política deve ser, querem subordinar o político não às leis, mas às suas convicções. O fato é que meteram os pés pela mão, procuraram um caso exemplar (Lula), criaram um mito. Por quê? Porque criaram fatos políticos e não provas substanciais que sustentassem suas teses: “estamos condenando o maior criminoso do Brasil, o Corrupto dos corruptos, o sujeito que dilapidou nosso país e levou a bancarrota a Petrobras”. Exemplificando, anunciaram que o sujeito roubou um “Nike VaporMax”, mas o condenaram por um chinela de dedo, que não conseguiram provar estar com ele ("ato de ofício indeterminado", coisa que, por mais que expliquem, nós leigos não entendemos). Em torno do sujeito montaram um circo, fizeram prisões espetaculares, pronunciamentos para a imprensa com frases de impacto, Powerpoint mirabolante, Filme com atores globais "A Lei é pra todos", quando sabemos que não, transmitiram o julgamento muna linguagem incompreensível e modorrenta. Devido a tudo isso, nossos juízes e a imprensa que os sustentam neste circo não conseguem convencer as pessoas, mesmo as que festejam a prisão do dito cujo, de que o seu julgamento correu com a devida "normalidade e correta instrução jurídica". A justiça, querendo fazer política, tem feito merda (desculpe a expressão). Como temos milhões de injustiçados, de N matizes de injustiça, neste Triste Trópico, o sujeito que era para ser exemplo, tornou-se mito. E mito produz paixões irracionais, vide o outro mito...
quinta-feira, setembro 06, 2018
quarta-feira, setembro 05, 2018
ORDINARIUS IUSTITIA
A
história quem me conta é meu compadre e surgiu de um bate-papo sobre justiça e
política. Conta o compadre que “um certo tipo, durante 12 anos foi pontual com o pagamento da pensão
do filho, mas, em um certo mês, devido um erro no contracheque, passou um
perrengue, e não tendo reservas, transferiu o valor da pensão, na época em
torno de R$ 2000,00, com déficit de R$ 100,00. Passado alguns dias, estando com
o filho, e tendo resolvido o problema do contracheque, repassou ao filho os R$
100,00 faltantes. Caso é que, em determinada manhã, um
oficial de justiça o visitou com uma intimação judicial. A mãe do mancebo
requisitava em juízo o pagamento da pensão, alegando não reconhecer o valor
aquém em sua conta corrente como caracterizante de pagamento de pensão, pois
apenas o valor cheio, em seu entendimento, caracterizaria o mesmo. O caso foi a
juízo, e o sujeito explicou-se como pode, apresentou extrato bancário indicando
a transferência do valor em menos, mas acrescentando ter complementado em
espécie diretamente ao interessado, que foi chamado em causa pela defesa, mas
alegando “interesses afetivos conflitivos”, a juíza desconsiderou. O fato é que
a juíza reconheceu que o réu havia pago a pensão, mas como era mulher, em nome
do que ela chamou “sorolidade”, deu causa à requerente e determinou ao réu, não
apenas o pagamento de um mês de pensão, com as devidas correções monetárias,
como revogou o direito de visita por seis meses.” Entre estupefato e incrédulo
com o que ouvia, meu compadre emendou: “a mesma ‘sorolidade’ não apresentou a
meritíssima, quando o caso envolveu o ilustre Sr..., que numa tacada só
tornou-se pai e avô. Você, por certo compadre, se lembra do caso da filha de
empregada de uma influente família aqui de Ordinarius, não se lembra compadre?
Pois bem nesse caso, a meritíssima entendeu que mãe e filha agiram em conluio
para macular a honra de respeitada e tradicional família de Ordinarius, e não
sentenciou as mulheres a indenizar o digníssimo Sr..., por ‘gesto de grandeza’.”
Finalizando, meu compadre concluiu: “assim, compadre, funciona politicamente
nossa justiça. Nossos juízes têm posicionamentos tomados, decidem como classe...
Não fica difícil, portanto, entender suas decisões judiciosas. Principalmente
quando o que está em jogo não é estabelecer a justa justiça, mas, interesses
políticos.”
sábado, setembro 01, 2018
NÃO DESISTA
Nunca a casa esteve mais cheia. Do camarim se podia ouvir o burburinho das pessoas chegando, de suas expectativas para o espetáculo prestes a começar. Ao primeiro aviso, o burburinho foi cedendo espaço ao silêncio. Ao terceiro aviso a casa toda era olhos voltados para a mesma direção: às cortinas que se abriam lentamente, à escuridão que aos poucos ia cedendo espaço à luz que de tênue se intensificava , revelando ao centro do palco nosso personagem. Vestido em fraque prateado, uma máscara de expressão humorada. Ao fundo, um trio, todo de preto, com instrumentos de corda, sopro e percussão e umas engenhocas que simulavam os sons de água escorrendo, o vento sibilando, pássaros gorjeando, folhas amarfanhando.... Atônitos, incrédulos, atentos, ora rindo, ora suspirando, inquietando-se a prateia o seguia em seu monologo vivaz e entusiasmante, ora inquietante, ora perturbador, ora irônico, dramático, fantasioso, inventivo, engraçado, ao fim, motivador. Sua vos se alternava de sussurrante a toante, de melodiosa a ríspida, ameaçadora, de afável a jocosa, de irônica a dramática, despertando riso e lágrima. A plasticidade de seus gestos acompanhavam de tal modo as palavras, parecia ser as mãos a falar. A encenação superou hora e meia sem que o tempo fosse percebido passar, de sorte que, ao fim, quando as cortinas encerravam-se às falas finais: “Acreditem! Não desistam, não desistam!, pode-se ouvir por todo o teatro a mesma expressão: “Já!”, acompanhado de entusiasmadas ovações. Foi de fato uma noite consagradora, que o ator humildemente atribuiu à generosidade do publico. O teatro demorou a esvaziar-se, todos queriam estender louvores e comprimentos ao ator por sua esplêndida atuação. “Fiz o que aprendi a fazer!”, “é meu oficio!”, acanhava-se o dono da noite. O teatro esvaziou-se, as luzes se apagaram... Lemos no diário da manhã que no camarim, sentado em sua cadeira, mascara ao chão, uma flor ao colo, ele, após sublime apresentação, se passou. Um bilhete foi encontrado: “Como dizer a quem te ama que queremos não ser? Não desista!” Esta última frase estava riscada.
A Política e o Togado
Um
amigo convidou-me para um café numa padaria ‘gourmet’. Mal
chegamos, um dos atendentes depositava uma forma de pudim de ninho na vitrine.
A boca encheu de água, a mente de memórias afetivas, de encontros familiares
que se encerram com o pudim da avó. Pensei logo requisitar uma fatia, o pudim
me apelava. Mas, foi o atendente afastar-se que uma mosca pousou na calda do
pudim. Nem o café eu quis mais.
Assinar:
Postagens (Atom)
