Perguntaram-me
dos meus hábitos de leitura. Eu respondi que leio compulsivamente.
Perguntaram-me de minha preferência de suporte: livro físico ou digital. Eu
disse gostar do livro físico, mas leio em qualquer suporte: Lousa, Quadro de
aviso, letreiros, anúncios em poste, porta de banheiro, bula de remédio, muros
e paredes. Tudo eu leio. Não leio só o escrito eu disse a quem me indagava.
Leio canto de pássaros, vento soprando, flores se abrindo, chuva caindo. Eu
leio semblantes, olhos e olhares, contornos de lábios esboçando sorriso, insinuando
um beijo. Eu leio a dor e a alegria em lágrimas escorrendo. Leio a acolhida num
abraço, a despedida em acenos. Leio punhos cerrados, dedo em riste, apertos de
mãos, uma mão estendida oferecendo apoio. Leio gritos de fúria, de indignação,
de emoção. Leio o silêncio obsequioso ante o opressor, e a palavra presa à
garganta que diz de amor. Mas de tudo o que leio, a leitura a que sempre volto,
aquela em que mais me enleio, é a do calor e do frêmito de teu corpo enquanto
teus lábios eu folheio.
domingo, junho 05, 2022
LEITURA
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