Ensinava Zé Toco, técnico do glorioso 7 de setembro Futebol Clube, que o resultado de uma partida deve ser analisada segundo a escalação dos times. “Time que entra com reservas em campo, não entra pra ganha. Entra para, no mínimo segurar, o resultado. Quem tem a disposição um Roderval no time e começa a partida com Ronaldinho Pé chato, não entrou no jogo para ganhar.” Comentavam a derrota do Santa Cruz para o Vila Júlia. E alguém lembrou: Foi o Roderval quem pediu para não jogar. “Meus amigos”, retrucou Zé Toco, “tem disso não, Roderval está para o time, não o time para Roderval. É como o Carpegiani abrir mão do Zico, e escalar um da base. Não tem lógica. Precisando ganhar, se entra em campo com os melhores, e, se necessário, no sacrifício... Quando se dispensa a estrela do time, por uma estaca - vamos combinar, uma estaca se movimenta mais que Ronaldinho Pé chato – se jogou para cumprir tabela.” “Mas o Santa Cruz não esperava perder. Esta derrota lhe vai complicar”, comentou Pimentinha. “Só se não puder contar com Roderval para as próximas partidas”, disse Zé Toco. “O receio da torcida é justo este, uma contusão, uma suspensão, como a do Ludiano no torneio passado, quando a coisa for decisiva”, opinou o Suares. “É, o Santa Cruz não pode descartar esta hipótese, juiz mão grande é o que não falta”, assentiu Zé Toco: “Tiana, desce outra cachaça pra mim e pros compadres aqui”, ordenou...
segunda-feira, novembro 30, 2020
domingo, novembro 29, 2020
NÃO TENHO UM PROJETO PARA MEUS FILHOS, QUERO ENSINÁ-LOS A SE PROJETAREM
No futuro vou ensinar a meus filhos a história de sua mãe. Será uma história, a princípio, mítica. A mãe será, então, ora deusa, ora heroína, e o mundo seu reinado de amor incondicionado. Vou desenhar para meus filhos imagens de mistério e encanto. À medida que eles forem entrando na idade da razão vou lhes ensinando a mãe com os critérios de humanidade, para que eles a entendam não apenas como um papel social, mas como ser transcendendo qualquer determinação. Não os apressarei de uma passagem à outra. Vou contar-lhes também a história dos avôs: serão totens, anciões sagrados, homens sábios. Vou ensinar a meus filhos o amor e a sabedoria das avós. Ensinar-lhes-ei a dor e a morte como caminhos sagrados, porque é mistério. Vou ensinar a meus filhos os tios e tias. Então, vou contar-lhes a história destes grandes homens e mulheres: Geraldo, Luciene, Marco A Senna, Lidiane, Cristine Dutra, Zulene, Marco Maida, Lygia, Elvis... Marcos de humanidade, que muito contribuíram para a formação de meu espírito e para uma cultura que ainda virá. Quero que meus filhos saibam deles como heróis e como pessoas encarnadas de ideais eternos. São “Quixotes” e “Franciscos”, “Zumbis de morte Severina”, como diz o poema. São homens e mulheres que batalham e lutam por um mundo plural, diverso, comunitário, que quero ensinar para meus filhos. Quero ensinar-lhes o que há de melhor, para que em seus futuros eles tenham de onde partir para suas escolhas mais fundamentais. No futuro vou ensinar para meus filhos o voou que compete só a eles dar. Vou ensinar a meus filhos, na idade certa, que é preciso torna-se adulto e amadurecer e caminhar resoluto, fronte erguida, mas, serena, sem arrogância. Quero que meus filhos vençam não com as armas e os punhos cerrados, mas com as mãos estendidas e solidarias. Não tenho planos futuros para meus filhos. No futuro quero que meus filhos se projetem com os valores que hei de lhes ensinar.
sábado, novembro 28, 2020
SOBRE A AÇÃO PEDAGÓGICA
Por Claudio Domingos Fernandes
Cume da educação é a educação moral: quem o
nega não é homem, não é digno da humanidade. P. Giovanni Minozzi
Quando entramos em um
processo pedagógico, mesmo que de qualificação profissional, não esperamos que
as pessoas que nele estão, enquanto formandos, o terminem médicos, advogados,
professores, políticos..., embora a formação vise uma qualificação específica.
O que sustenta um projeto pedagógico são os princípios de uma formação ampla,
profunda, radicada na formação humana.
O que vale para uma
qualificação específica tem maior relevância quando tratamos da formação
inicial dos seres humanos, que tem um caráter geral... O processo pedagógico inicial visa uma
formação geral, oferecendo os instrumentos – a alfabetização, o domínio da leitura
e da escrita, a apreensão dos conhecimentos disciplinares, – para a
pluripossibilidades de qualificações específicas, sem perder de vista a
formação integral.
A nós, no ensino básico, não
importa, a princípio, se a pessoa com quem nos relacionamos em nossas
disciplinas será médico, dentista, engenheiro, deputado, padre ou pastor; isto
será uma escolha pessoal. Para nós interessa que esta pessoa apreenda um
conjunto de saberes que lhe será necessário para conduzir-se no convívio
social, constituindo interações propositivas. Em toda formação específica o fio
orientador são os princípios éticos de humanização das práticas profissionais,
em que o bom médico, ou bom advogado, ou o bom eletricista ou padre ou pastor,
seja também uma boa pessoa, isto é, além do domínio profissional, tenha um reto
caráter. Esperamos que além de bom juiz, bom professor, bom político, no
sentido técnico-profissional, seja boa em sentido ético. Assim, não ensinamos
as pessoas a serem bons profissionais, isto dependerá de suas práticas, das
experiências que irão adquirir no exercício de suas profissões, no quanto se
empenharão aprimorando-se, as ensinamos, mesmo quando a ensinamos a extrair um
dente ou a retornar um troco, a serem pessoas integras, respeitadas, reconhecidas.
No ensino básico é isto que
importa quando lhes transmitimos nossos saberes disciplinares, não queremos
gramáticos, químicos, filósofos..., não queremos que dominem a língua
estrangeira à perfeição ou saiam atletas de ponta, não é esta a função do
ensino básico. Além da formação para a cidadania e para o trabalho, é a
formação para ser integra e integral que orienta nossa ação pedagógica, que
norteia nossas praticas na escola. Este ensino não o fazemos com nossos
saberes, o fazemos com nossas atitudes, com o modo como vivenciamos o que
ensinamos...
Assim, em cada uma das
etapas do processo pedagógico as pessoas nele envolvido não assumem apenas categorias
cognitivas e epistemológicas, assumem compromissos éticos, que fundamentam suas
experiências de vida e seu ensinar.
É neste sentido que, em toda
relação pedagógica, e principalmente no ensino básico, “o educador deve
inspirar respeito, confiança e segurança no aluno; deve ter uma personalidade [amadurecida],
superior, generosa e simpática, verdadeiramente fascinante, que atraia vocações”
(Pe Giovanni Minozzi).
sexta-feira, novembro 27, 2020
DESEJO DE TORNAR-SE K
Para Tomás Amorim Isabel
Se se tornasse ao menos K, logo pronto despertando certa manhã de sonhos agitados, como uma criança, em um corredor escuro, abandonaria a porta da lei, não existem leis, se resignaria à maquinaria burocrática, contra os tribunais não é mais possível defesa, veria se diante do pai “irradiando a mais aguda perspicácia”, já o monstruoso inseto não teria pescoço nem qualquer cabeça...
Não Obstante
Vejo-te o que não és,
na função que ocupas.
Vejo-te burocracia, mando,
metas
Em teu bom dia,
a cobrança de planilhas
e relatórios à primeira linha
me inerva.
Mas sei que sorris e choras
Que sonhas e esperas e desejas
amas e odeias
e brincas com os cães e gatos
e regas as floreiras
falando bobeiras
A que conheço,
mesmo que me exaspere,
entendo e respeito
um burocrático:
bom dia
desejo.
A outra, que desconheço,
não fossem as formalidades,
Cobria de beijos.