Durante três séculos fomos escravos, morríamos na chibata. Então, nos deram a liberdade e nada mais a não ser a advertência: terás sempre uma bala perdida em teu caminho. Fica esperto! Domingo uma família foi alvejada por 80 tiros. Evaldo Rosa dos Santos entrou no caminho das balas ["a culpa caí sobre quem já não pode se defender", dizia minha avó], que perdidas, sempre acham um liberto, sinônimo de bandido, para quem atira. Há 133 anos fomos libertos, mas só isso. Ainda não conquistamos cidadania. E, se não ficamos espertos, podemos ser o próximo nas estatísticas...
quarta-feira, abril 17, 2019
sexta-feira, março 22, 2019
CONTRA MARCHA
Tenho este tempo que me cabe
E o sei com rastros de passado
De fatos não contados,
Desmentidos,
Dissimulados
Em páginas amarelas
Na Rede das novelas
Nos cotidianos
Em que não ouso embrulhar meu peixe
E o sei com rastros de passado
De fatos não contados,
Desmentidos,
Dissimulados
Em páginas amarelas
Na Rede das novelas
Nos cotidianos
Em que não ouso embrulhar meu peixe
Convocam-me para este ato
Saudosistas daquilo que não
Existiu,
Aproveitadores de nossa desmemoria
Saudosistas daquilo que não
Existiu,
Aproveitadores de nossa desmemoria
E decido por marchar,
Não contra Deus,
Que o tempo me subtrai,
Após dar-me ao mesmo
Nem contra a família
Ou a pátria,
Que levo em conta.
Mas contra os que,
Por motivos parcos,
Dissimulando o que
Não devíamos esquecer,
Clamam Deus, família e pátria,
Almas pequenas,
Não creem em tais valores.
Os usam por seus mesquinhos interesses
Não contra Deus,
Que o tempo me subtrai,
Após dar-me ao mesmo
Nem contra a família
Ou a pátria,
Que levo em conta.
Mas contra os que,
Por motivos parcos,
Dissimulando o que
Não devíamos esquecer,
Clamam Deus, família e pátria,
Almas pequenas,
Não creem em tais valores.
Os usam por seus mesquinhos interesses
Eu marcho,
Mas no sentido contrário
Dos que me tomam por alienado,
Por curtir futebol
E carnaval,
E elevar as mão ao alto
E tocar meu atabaque
Mas no sentido contrário
Dos que me tomam por alienado,
Por curtir futebol
E carnaval,
E elevar as mão ao alto
E tocar meu atabaque
Marcho com os Desinformados,
O povo des-educado,
Negado
Por esses que me convocam
Para construírem sua Suíça particular
Como se eu não soubesse
Nela não poder entrar.
O povo des-educado,
Negado
Por esses que me convocam
Para construírem sua Suíça particular
Como se eu não soubesse
Nela não poder entrar.
E se Deus caminha com eles,
Tenho pena, deste Deus
Que se associa a miseráveis.
Tenho pena, deste Deus
Que se associa a miseráveis.
21 de março de 2014
quinta-feira, março 21, 2019
quinta-feira, março 14, 2019
A ESCOLA QUE SONHO PARA MEUS FILHOS NUMA MANHÃ TRISTE
Em
memória às vitimas da Escola Raul Brasil
Diante
do espelho balbuciava vacilante o que iria dizer. Procurava o tom, o ritmo a
entonação correta. Ao mesmo tempo procurava estabelecer o momento mais
propício: se antes de as aulas começarem, se no intervalo, se no retorno
quando, poderia sugerir passarem na sorveteria... Sentia as mãos úmidas e as
pernas bambas, o coração era puro frenesi. Na mochila o pequeno mimo para
marcar o momento decisivo. Não sabia por onde começar, tudo o que havia ensaiado
perdera-se no misto de insegurança e ansiedade que lhe envolvia. Os corpos abismados,
mesmo próximos, pelo toque que não ousava, o olhar buscando o olhar de outrem e
a ele se furtando, o sorriso tímido, inseguro... Conduzia uma conversa sem
sentido, de viagem que não pretendia fazer, de compromissos que não teria, de
músicas que não ouvia. Tudo o que havia ensaiado o tempo, a angustia, consumia.
Já entristecendo-se pelo receio da iniciativa que não vinha, vencendo a ousadia
que se exigia: “você é o que me dá sentido e anima minha vida!” de uma voz tímida
ouvia e o beijo que ensaiara roubar, roubado lhe foi. Não suas pernas, seu ser
inteiro estremecia...
sexta-feira, março 08, 2019
O PRESIDENTE DO BRASIL E O PROFETA SUASSUNA
Certa feita, em uma de suas aulas, Ariano Suassuna contou uma anedota futurista. Contou Suassuna: "Um certo presidente do regime militar tinha fama de burro. Conta que, certa feita ele tinha que fazer uma visita a uma escola de ensino fundamental e foi orientado por seus assessores a interrogar os alunos e testar o seus conhecimentos. "Mas e seu não souber a resposta?", questionou o presidente a seus assessores. Não se preocupe excelência, nós vos preparamos uma cola. Deu-se a visita e o presidente tomou um aluno e questionou: "Quem descobriu o Brasil?" "Pedro Alvares Cabral!", respondeu o aluno. O presidente conferiu a cola e disse: "Muito bem! Em que data?" "22 de abril!", respondeu o mesmo aluno. O presidente conferindo a cola: "Bravo! Agora responda: a quantos graus ferve a água?" O menino respondeu: "a 100 graus Celsius!" O presidente conferiu a cola e desaprovou a resposta do aluno: "A resposta é 90°!" O menino reafirmou ser 100° Celsius. E o presidente insistiu com 90°. A professora, então, tomando a palavra: "Vossa excelência a resposta do aluno está correta, a água, de fato, ferve a 100° Celsius". O presidente conferiu novamente sua cola: "Me desculpem, de fato, o que ferve a 90° é o ângulo reto!" Do mesmo presidente Suassuna contou também que "certa vez viajando de trem da Espanha para a França, viajava nosso presidente no mesmo vagão que Pablo Picasso e Stravinsky. Chegando à fronteira seus passaportes foram requisitados. E Picasso, que havia esquecido o seu disse: "Sou o grande Pablo Picasso!" "Prove-nos!", disseram os guardas de fronteira, e Picasso requisitando lápis e papel desenhou uma tourada, conseguindo assim autorização para cruzar a fronteira. Stravinsky também havia esquecido o passaporte e recorreu ao mesmo recurso de Picasso: "Sou o grande compositor Stavinsky. Após traçar as notas de uma sua música muna folha de papel, também foi liberado. Chegando a vez de nosso presidente, ele também não tinha consigo o passaporte e se saiu com essa: "Eu sou o presidente do Brasil!" "Então nos prove!" Disseram os guardas. Nosso presidente levou a mão ao queixo e pós se a pensar. Passado 40 mim.: "Não me ocorre nada!". "Pode atravessar, o senhor é mesmo o presidente do Brasil!", disseram os guardas de fronteira. Suassuna profetizava!!!
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