Eu sei das mazelas do Brasil, da
distância que separa o norte e nordeste do sul e do leste, da gritante e
vergonhosa realidade que separa Paraisópolis do Morumbi. Eu me espremo na CPTM
e fico meses aguardando atendimento no SUS eu sei o que é ser olhado com
suspeita, ter que estar devidamente documentado e manter a "boa
aparência". Sei das lamentáveis condições de manutenção de nossas escolas,
das crianças que contam apenas com a merenda para ter uma refeição no dia, e
sei que tudo isso é questão política. Eu tenho uma posição marcada: não quero
um Estado mínimo, quero um Estado em que a promoção social, a distribuição de
renda, a oferta de serviços contemple as camadas mais empobrecidas, que a
diversidade, a pluralidade sejam respeitadas e exercidas, que o artigo quinto
da Constituição, não seja apenas um artigo na Constituição... Eu não quero é
repetir, tal papagaio, slogan de governo algum. Quanto ao hino, eu o canto, não
preciso de determinação para tanto. Não obstante nossas mazelas, e o momento
presente, do Brasil não me desencanto: Tornado pequeno, não deixa de ser
Pujante, como acreditou o poeta que teceu o Hino Nacional Brasileiro, que não
descreveu o momento presente, transfigurou o momento futuro. Um Brasil que não
verei, mas pelo qual não deixo de lutar... E porque "a poesia é mais
filosófica e mais séria que a história, pois a poesia revela o universal, e a
história, o particular." (Aristóteles), eu, sabendo de nossa história,
canto o hino com os olhos da poesia. Ele não trata da realidade, descreve uma
utopia... É, eu acordei ufanista...
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
sexta-feira, fevereiro 15, 2019
CARICATO CIDADÃO
Ô
caricato cidadão, preste bem a atenção
Não é
bobeira, não
Você
excreta asneiras, dia sim dia não
Teu
racismo, teu machismo, teu homofobismo
É excreção,
não é opinião
Ô
caricato cidadão, você não é de bem não
Sai
um pouco da rede,
Abre
um bom livro,
Deixe
de ser burro,
Seguir
yutuber
Vai
estudar, meu irmão!
Ô caricato cidadão, não é mimimi não
Você
excreta asneira, dia sim dia não
Tua
excrescência não é opinião
É
tua imagem bosta,
Pode
crer meu irmão
Ô
caricato cidadão, você não é de bem não
De
bem você não é, caricato cidadão
Você
é sua excreção, tornada opinião
Sua
excreção, tornada opinião
quinta-feira, fevereiro 14, 2019
quarta-feira, fevereiro 13, 2019
SOBRE A MORTE COMO CASTIGO
“[...] não me comprazo com a morte do ímpio,
mas antes com a sua conversão de modo que tenha a vida.” Ez. 33,11
Quando eu tinha
algum envolvimento com a vida religiosa, aprendi de um monge camaldulense que a
morte não é obra de Deus, e que Deus quando age na vida de alguém é para
resgatá-la, não para puni-la. “Deus é um Deus que perdoa; não que castiga”. Este monge dizia que diante da morte Deus é
impotente e dava como exemplo o Cristo que chorou a morte do amigo Lázaro e do
próprio Deus diante do sacrifício do Filho. “É fato que Jesus morreu para
cumprir a vontade do Pai, mas a vontade do Pai não era a morte do Filho; era a
conversão dos homens. Nós homens condenamos e executamos o Cristo, pois se
alguém pode castigar um outro ser com sentença de morte este alguém é o homem e
não Deus”. Sobre a morte Deus não tem poder, ela nos acontece queiramos ou não,
e quando menos esperamos. Deus também não interfere em nossas decisões. Ele nos
ensina um caminho, não nos impõem segui-lo. “O que há de mais divino em Deus é
seu respeito por nossas decisões. Assim, ante a condenação do Filho, Deus não
age para impedir sua morte. Para não desrespeitar nossa decisão, Deus assiste
impotente o sacrifício do Filho.” E porque condenamos Jesus à morte? Porque nos
falou de Amar, Perdoar, Acolher, Partilhar, Ser Solidário: loucura; subversão,
blasfêmia! Para nós a graça é possuir, controlar, mandar, dominar, acumular,
tripudiar sobre o outro e se alguém se opõe a isso sabemos bem o que fazer:
Fizemos com o Cristo. A morte é coisa
nossa, não de Deus! Para quem não segue falsos ungidos: Deus não castiga! Deus
redime!
terça-feira, fevereiro 12, 2019
GOSTO DE TI
Não tem porque eu gosto de ti
Gosto gostando
Desde que eu te vi
Gostei primeiro do teu sorriso
Depois da tua conversa franca
Da tua voz,
De teu canto.
Eu gosto de ti
Simples assim
Gosto gostando
Quando me segreda teus sonhos
Fazendo-me rir de coisas bobas
Brincando com meus cabelos
A cabeça pousada em meus ombros
Eu gosto de ti por gostar
Gosto gostando
De teus lábios em minha testa
De tua pele na minha pele
Teu corpo deslizando no meu
Eu gosto de ti
Te amando
quinta-feira, fevereiro 07, 2019
SOMOS SERES RENTES À MORTE
Somos seres rentes à morte e nela, queiramos ou
não, uma hora despencamos. Alguns antes da hora, outros com certo atraso, mas
todos têm, com a morte, encontro marcado. Morte não se evita, acontece e
pronto!!! Do ato suicida à morte súbita, passando pelas acidentais, não
morremos quando queremos, morremos e pronto. Por isso o fracasso de muitas
tentativas de suicídio, não basta querer morrer. A morte é uma decisão que não
é nossa. Somos condenados, querendo ou não, a viver. Por ora, vou carregando
esse peso.
terça-feira, fevereiro 05, 2019
DESNORTEIO
Quem é esta que chega, flores na
cabeça,
Vestido de chita, lenço na cintura,
Chinela de dedo,
Fita do Bom Fim no tornozelo,
Água de cheiro
Vespertino arrebol;
Flor desabrochando;
Amanhecer no Arpoador,
Voo de asa delta
Transa no chuveiro
Quem é esta que chega, corpo
trigueiro;
Olhar de menina;
Lábios vermelhos;
Tatuagem no ombro
Decote anunciando os seios
Cheiro de chuva que passou como
Que não veio,
Bolo de avó
Aroma de café;
Dos beijos, o primeiro
Quem é esta que chega?
Versos do Quintana, do Barros
Do Bandeira
Entre páginas da Lispector
Samba do Nogueira
Caymmi com Ben Jor,
Canção do Belchior.
Quem é esta que chega,
Sorriso faceiro,
Requebrando as ancas
Ao som do pandeiro
Quem é esta que chega:
Quem é esse desnorteio?
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