quinta-feira, julho 12, 2018

Eu quero me encantar com a política

Com o passar dos anos, com as experiências de vida, os estudos, os conhecimentos adquiridos, as relações constituídas, deveríamos ir perdendo a ingenuidade, tornando-nos mais capazes de compreender os fatos e acontecimentos, tomar diante deles posições críticas e criteriosas. Mas com a perda da ingenuidade, não podemos deixar de manter a capacidade de encantamento, de se surpreender, de dar espaço à espontaneidade e o inusitado. A falta de encantamento, de abertura ao inusitado, ao espontâneo, ao que não precisa de explicação apenas de fruição, não nos torna menos ingênuos, nos torna ou deterministas ou fatalistas ou indiferentes: nada nos surpreende, nada nos interessa, tudo é assim mesmo. Provoca, também, frustrações, rancores, amarguras. O Face tem se tornado um espaço para nossas amarguras, nossas frustrações e rancores. Tenho acompanhado grupos e amigos que empenham suas capacidades de analise críticas não para estabelecer um debate que nos abra a novas possibilidades, mas apenas para destilar ressentimentos e rancores. A política, meus amigos, deveria ser a arte de construir espaços de convivência onde singularidades, e não vaidades, dão razão de ser ao mundo. Tudo é política, mas o tudo não é totalidade, essa brecha que me permite saborear um sorvete com meus filhos, sem estar lhes parlamentando o quanto de vidas exploradas tem nele. E vendo meus meninos correndo atrás de uma bola me pergunto: “quem não sonhou ser um jogador de futebol?” (Skank). Assim, embora eivada de política “é emocionante um partida de futebol”. Sem ingenuidade eu entendo as implicações políticas e econômicas que envolvem uma partida de futebol, mas agora eu quero apenas me encantar com uma bela partida de futebol. Não curte futebol, tudo bem, vá ao teatro, ao cinema, leia um livro, ouça música, transe. Mas vá desarmado, a política se imiscui ai também. Eu quero e luto por um país outro, mas agora eu quero apenas me encantar. Não foi desta vez, será no Qatar!

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