sábado, setembro 11, 2021

O PARVO AMANUENSE

O homem de papel figurativo, com gosto por mesóclises, no passado recente, escreveu uma carta antes de conspirar contra uma mulher para assumir o seu lugar. E, em seu costumaz oportunismo, escreveu outra carta para manter um inepto genocida que assumiu seu lugar.

quinta-feira, setembro 09, 2021

EM TI A ANGUSTIA NÃO ME TOMA

Da janela do quarto

acompanho intranquilo

a turba que marcha por seus

delírios autoritários

O slogan nauseante

“deus acima de tudo”

soa-me absurdo e

angustiante

 

Teu canto e teu cheiro

preenchem o quarto

volto-me para ti

desabotoando a blusa

serpentando o corpo

baixando a saia

 

Alguma certeza

em mim desperta

e em teu corpo me perco

Com os dedos brinco

entre tuas pernas

E a ponta de língua

singro-te de lábios a

lábios

 

Me afogo em tua quentura úmida

entre gemidos e sussurros de palavras impudicas

Após o gozo nos afagamos ternos e seguros

A marcha dos que não amam passou

a angustia já não me toma.

 

terça-feira, setembro 07, 2021

ANTES DE TE VESTIRES DE VERDE E AMARELO

 

Antes de te vestires de verde e amarelo, olhe ao teu redor, às pessoas de semblantes cansados, aguardando o transporte que as levará, de mãos vazias, de volta a seus lares. Lança teu olhar para o olhar desesperançado dos passantes, indo de fabrica em fabrica, buscando o emprego que não acham. Olha no entorno e perceba o crescer diário dos pedintes, das crianças maltrapilhas, de jovens entregues ao crime, das mulheres oferecendo o próprio corpo. Perceba -lhes as lagrimas. Saia de teu mundo e caminhe pelas ruas, entre nos mercado, veja as tabelas de preço, passe pelos hospitais e sinta o sofrimento, o desamparo de quem não pode despedir-se de quem ama. Não era destino, saiba, foi descaso. É sobre esta dor que ireis participar de um evento macabro? Já não sois, então, inocente, sois cumplice e algoz.

quinta-feira, setembro 02, 2021

ADIAMENTOS

 


 Quando no coração de uma pessoa

vibra o alento  de uma escuta silenciosa

e amiga

qualquer que seja sua inconformidade

com o mundo,

ela insiste.

E mesmo não encontrando

porque acreditar num  amanhã vindouro,

o abraço que a acolhe lhe é ancoradouro.

O brivido, mesmo que fugidio,

de um remoto sorriso

na memória escondido

em quem  o eterno repouso

se atiça,

a decisão da partida suspende

Quem tem um colo onde ancorar

sua angustia

de adiamentos vive,

mesmo descontente...