Com o isolamento social, reinventar-se
é a palavra da moda. E “professores têm se reinventado diariamente ante a
necessidade de manter as atividades escolares.” Em seus lares, conectados a
seus alunos, à equipe pedagógica local, regional e estadual, trabalham sem
descanso. Tiveram que aprender a utilizar novas plataformas, arriscarem-se no
uso de novas tecnologias, tiveram que administrar seus horários e criar
estratégias para atingir seus alunos e mantê-los engajados.
Socialmente, o professor ainda
goza de razoável consideração. No entanto para as estruturas econômicas cada
vez mais dependentes dos recursos tecnológicos e para a ideologia da
maximização do lucro pela redução máxima da força de trabalho humano ou da
remuneração dessa força, o professor é uma desnecessidade. Ele não está na
ordem dos investimentos, ele é custo, e com os recursos tecnológicos se otimiza
a produção com menos recurso humano. Preparar as pessoas técnica e moralmente para
o trabalho já não é mais uma preocupação do mercado.
Quase disponível “full time”, utilizando
recursos próprios, há um descompasso entre o valor social que ainda se tributa
ao professor e o discurso oficial, tomada a fala do ministro da educação: "Hoje ser um professor é ter quase uma
declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa" (Milton
Ribeiro, Ministro da Educação). Os professores, para nosso presidente: “Ficam
ouvindo sindicato de professores. Pessoal deve saber como que é composto a
ideologia dos sindicatos dos professores pelo Brasil quase todo. É um pessoal
de esquerda radical. Para eles tá bom ficar em casa, por dois motivos: primeiro
eles ficam em casa e não trabalham, por outro colabora que a garotada não
aprenda mais coisas, não volte a se instruir”.
Então, certas formas de homenagem
ao professorado durante essa semana apenas romantizam a superexploração de seu
trabalho. A tal reinvenção do professorado é o último respiro de uma profissão descartável.
O mercado não precisa de professores, ele já conta com “influenciadores
digitais”, que vão se tornando a nova forma de preparar as novas gerações. A
pandemia apenas possibilitou a experiência do ensino remoto. Não houve
reinvenção, houve laboratório, quem viver verá: Entramos na era da educação sem
educador.