sábado, julho 21, 2018
quinta-feira, julho 12, 2018
Eu quero me encantar com a política
Com o passar dos anos, com as experiências de vida, os estudos, os conhecimentos adquiridos, as relações constituídas, deveríamos ir perdendo a ingenuidade, tornando-nos mais capazes de compreender os fatos e acontecimentos, tomar diante deles posições críticas e criteriosas. Mas com a perda da ingenuidade, não podemos deixar de manter a capacidade de encantamento, de se surpreender, de dar espaço à espontaneidade e o inusitado. A falta de encantamento, de abertura ao inusitado, ao espontâneo, ao que não precisa de explicação apenas de fruição, não nos torna menos ingênuos, nos torna ou deterministas ou fatalistas ou indiferentes: nada nos surpreende, nada nos interessa, tudo é assim mesmo. Provoca, também, frustrações, rancores, amarguras. O Face tem se tornado um espaço para nossas amarguras, nossas frustrações e rancores. Tenho acompanhado grupos e amigos que empenham suas capacidades de analise críticas não para estabelecer um debate que nos abra a novas possibilidades, mas apenas para destilar ressentimentos e rancores. A política, meus amigos, deveria ser a arte de construir espaços de convivência onde singularidades, e não vaidades, dão razão de ser ao mundo. Tudo é política, mas o tudo não é totalidade, essa brecha que me permite saborear um sorvete com meus filhos, sem estar lhes parlamentando o quanto de vidas exploradas tem nele. E vendo meus meninos correndo atrás de uma bola me pergunto: “quem não sonhou ser um jogador de futebol?” (Skank). Assim, embora eivada de política “é emocionante um partida de futebol”. Sem ingenuidade eu entendo as implicações políticas e econômicas que envolvem uma partida de futebol, mas agora eu quero apenas me encantar com uma bela partida de futebol. Não curte futebol, tudo bem, vá ao teatro, ao cinema, leia um livro, ouça música, transe. Mas vá desarmado, a política se imiscui ai também. Eu quero e luto por um país outro, mas agora eu quero apenas me encantar. Não foi desta vez, será no Qatar!
quinta-feira, junho 28, 2018
ENQUANTO A BOLA NÃO ROLA
Está rolando um bolão aqui na repartição, e, enquanto nos preparamos para acompanhar a partida, o assunto é a troca-transferência de funcionários de um setor para outro. E para explicar a eficácia de tal procedimento, um graduado narrou a história que segue.
“Em uma época remota, em um lugar insólito, um certo tipo tinha dois carros em sua garagem com um mesmo e peculiar desajuste mecânico: baterias arriadas. Certo dia o sujeito acordou disposto a ajustar os carros e, por garantia, consultou um mecânico. O mecânico orientou-o a recarregar as baterias e, em último caso, trocá-las. “Era obvio”, pensou o tipo, que optou pela troca das baterias. Mas qual? Feita a operação, nada de os carros funcionarem. O tipo praguejou os mais obscenos impropérios contra o mecânico. Bufando contra sua ineficiência, acionou-o indignado. Após rápida inspeção nos veículos, o mecânico observou: “meu senhor quando eu vos orientei a trocar as baterias, eu entendia dizer por baterias novas e não de um carro para outro.”
Vamos ao jogo...
Vamos ao jogo...
terça-feira, junho 12, 2018
Anthuérpia de Assunção Ramires
Anthuérpia
de Assunção Ramires, a terceira e a mais longeva das doze filhas de coronel
Ramires, passou em seus aposentos a maior parte de sua fugaz existência. Tia a
assistiu em seus últimos anos e, com vó, fazia-lhe unguentos, banhos e rezas
para lhe tirar quebranto. Certa vez as acompanhei. Castigo por espiar as formas
de prima por entre frestas e buracos de fechadura...
A
menina era magríssima, olhos desalentados, esbugalhados, a pele pálida de veias
esverdeazuladas, cabelos corrediços esbranquecidos, a voz lhe sumia entre
tosses e o sangue que cuspia numa vasilha de prata. Deixei-a aturdido, com uma
forma de angústia que me rodeia até hoje. Seu passar foi um acontecimento no
arraial. Coronel mandou trazer ataúde da cidade todo forrado em cetim,
encomendou vestido de noiva a Dona Zé, e exigiu os ofícios presididos pelo
bispo em pessoa.
Preparava-me
para as confissões. Apareceu-me com sua figura pálida no vestido de noiva. Creio
que cheguei ao tom de sua palidez. Por um instante o coração pareceu-me não
responder, suei e molhei-me todo. Ela sorriu-me um sorriso sem brilho, os olhos
esbugalhados envolviam-me. Sussurrou em meus ouvidos sua voz fugidia: “não há
lugar para mim em parte alguma, nem na morte”...
Deixei
a igreja vertiginoso. Fiquei dias abismado. Vó recorreu às suas rezas e
quebrantos. Depois de um período longo de mudez, expliquei a tia o acontecido.
Tia mandou rezar missa para as almas do purgatório. Nunca mais soube o que é
dormir sem sobressaltos.
De
recente, voltando da caminhada matinal, resolvi sentar próximo ao lago, debaixo
de uma mangueira, e acompanhar o nado descompromissado de um grupo de patos: “Enterraram-me
viva”, senti aquela voz característica sussurrando em meus ouvidos. Fiquei
atônito, subiu-me um calafrio, desfaleci. Acordei no pronto socorro.
Enquanto
espero ser liberado, folheio o Correio de São João de Curvelo, que entre outras
curiosidades informa: “durante a exumação de uma antiga filha da cidade, pertencente
à família dos Ramires, notou-se que a posição do corpo não correspondia à posição
original, como se o mesmo tivesse se movido”. Telefono imediatamente para tia: “A
bença tia! Como é mesmo aquela oração pras almas do purgatório?”
domingo, junho 10, 2018
SEM TI, NÃO SEI SER
Carta à amada que foi à padaria comprar pão e
leite.
Flor de minha existência,
Estou aqui navegando de um
site a outro, correndo intermináveis vezes minha timeline, coferindo emails e
zaps. Procurando te encontrar, querendo te falar; sonhando o beijo que de ti eu
espero para eu voltar a ser.
Eu preciso te dizer: sem tua
presença aqui eu não sei ser.
A tua ausência me faz
perdido; essa angustia que me assalta..., perco a paz.
Coloco no Youtube e fico a
ouvir canções que narram nossa história, repito a exaustão aquela canção que
lembra nosso primeiro encontro, o desajeito do primeiro beijo, as promessas de
não nos deixar.
"Não adianta nem tentar
me esquecer/ Durante muito tempo em sua vida/Eu vou viver..."
Nós dois, corpos colados, a
dançar.
Procuro no celular tua
imagem, quem sabe uma mensagem. Tem essa de nosso último passeio. Teu sorriso
me aquece, por instantes me esqueço: Eu sou!
Fique sabendo que eu não sei
ser sem tua presença, sem teu sorriso é tudo insípido, cinza-frio...
Se não voltas, vou sair;
perder-me por aí, fugir desta tua ausência que me desestabiliza.
Não me canso de falar que te
amo. Além de ti nada mais me interessa.
Esta dependência de ti é insana, eu sei! Não
é amor, é loucura!
Vou te procurar. Não suporto
ficar aqui a te esperar, sofro tanto não sei ser.
Quero ouvir tua voz, contemplar
teu sorriso, o brilho de teu olhar. Quero jogar-me em teus braços e sentir o
pulsar de teu coração, deixar-te me afagar.
Quando estou perto de ti,
esqueço-me de mim. Esquecendo-me: Eu sou! E se fico um só momento distante de
ti eu não sei ser. Meu mundo é insípido, um cinza-triste, sem você aqui...
Eu não sei me libertar desta
loucura que é não saber viver em tua ausência. Se você demora mais um pouco, eu
fico louco à beira de me perder.
Volta logo, meu amor, já não
consigo mais te esperar. Não vejo a hora de te abraçar, roubar-te um beijo que
ponha fim à minha exasperação.
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